Tendências Em Calçados Femininos Para O Outono / Inverno 2009

Antes de abordarmos propriamente as tendências, vamos deixar claro que a idéia de calçados como acessórios, algo secundário é algo do passado, mesmo que um passado recente, mas é! Neste passado era muito comum, as consumidoras saírem às compras de seus calçados, após já terem comprado o vestuário, isto tanto é verdade que, em muitas ocasiões especiais estas escolhiam o tecido de seus vestidos e com este tecido, mandavam confeccionar seus calçados. Hoje isso praticamente não ocorre mais, salvo raras exceções. Passou a ser muito comum, encontrar consumidoras que após fazerem as compras de seus calçados, saiam ás compras do vestuário.

Diante desta realidade, não queremos dizer que os calçados estejam em um patamar de maior importância, mas sim, que eles caminham lado a lado com o vestuário, deixando como acessórios segundo a indústria coureira/calçadista as bolsas, cintos, carteiras, malas, pastas e outros.

Uma imensidão de tendências pode ser acompanhada nos lançamentos internacionais nos principais pólos mundiais da moda, isso sem dúvida foi um ótimo combustível e trouxe muitas inspirações aos nossos designers, que deverão surpreender o público feminino, devido às diversidades de estilos, ousadia e grande desenvoltura de suas criações.

No campo das cores para o inverno 2009, fica bem evidente a volta triunfal do preto, embora raramente tenha saído de cena nas coleções de inverno, mas desta vez, ele reaparece com força total, sendo que há muitas coleções ele não tinha tanta atenção dos holofotes. Mas sem dúvida alguma os acinzentados são as estrelas da estação, se não só, pelas suas aplicabilidades, mas também por suas vastas variações na paleta de cores. Ao lado do preto e acinzentados podemos ainda destacar alguns tons terrosos entre eles o marrom e o whisky (também chamados nesta estação de chocolate e tabaco). Não devemos nos esquecer dos profundos azuis, verdes, violetas e beges que também estarão presentes neste inverno, já em relação ás cores vibrantes como os amarelados, rosados e avermelhados, estes tons tem suas vibrações quebradas pelas misturas dos acinzentados e a mesclagem com o preto e em poucas vezes com o branco. Neste contexto vale lembrar que há algumas décadas, não admitia-se para o inverno outras cores a não ser, o preto e algumas variações do marrom, hoje dificilmente estes tons saem das paletas de cores, mas há sim uma inserção de cores vibrantes e mais variações, pois há uma crescente a procura por parte dos consumidores pelo diferencial, pelo inusitado e pelo belo, sem ser o exótico.

Ainda no campo das cores, as tonalidades perdem o brilho, uma vez que ganham forças os aspectos foscos, envelhecidos, desgastados ou mesmo o brilho encerado e escovado.

No quesito materiais, a grande vedete é sem dúvida alguma o couro com diversos acabamentos e texturas, utilizando-se destes acabamentos e texturas para alcançar diferentes efeitos em um mesmo calçado. Há muitos anos as texturas exóticas vêm conquistando o mercado nacional e com a chegada do inverno, estas ganham ainda mais força. Texturas como tilápia, elefante, enguia, lezard e principalmente os répteis, com destaque aos jacarés e crocos, que podem ter em sua textura bastantes variações e ainda as cobras que variam da textura tradicional à python, também será observado estampa de inspirada em animais entre eles o leopardo a e onça e ainda estampas em alto relevo. Os vernizes perdem espaço, mas não desaparecem totalmente, eles ainda são utilizados para quebrar o ar excessivo dos envelhecidos como as camurças, atanados e vegetais, as novidades entre os vernizes ficam a cargo do verniz degrade, verniz petróleo e o verniz croco. Os metalizados a exemplo dos vernizes também perdem espaço, porém a eles podem ser atribuídas algumas texturas como a tradicional cobra e python. Ainda na questão dos acabamentos nos couros podem ser encontrados efeitos como o laqueado, empoeirado, espelho, molhado e até brilhantes como perolizados.

Todos estes materiais e texturas seguem o rígido padrão de maciez e caimento exigidos pela estação.

Embora o couro seja a grande estrela da estação, os tecidos também estão em alta, com efeitos desgastados, pied-poule, densos e leves, com estruturas frágeis ou brilho encerado, o xadrez ainda poderá ser encontrado. Nos forros e palmilhas dos calçados poderão ser encontrados jacquards, estampados em cores constantes, ou ainda dublados com desenhos diversificados e de apelo requintado, também com motivos florais aquarelados, animal print, além de forros com efeitos de corrosão.

Dentre os tecidos o destaque fica com o cetim.

Tradicionalmente o inverno requer modelos abotinados, uma vez que intenção é proteger contra o frio, logo as botas ganham destaque e seus canos variações nas alturas, porém com um visual mais clean do que em coleções passadas, modelos como scarpin, sandálias-botas ou botas abertas, sapatilhas ballerinas e os sapatos bonecas serão certamente encontrados neste inverno.

As formas estão mais curtas e com bicos arredondados, embora o bico fino ainda demonstre sua força ele está mais curto.

Os saltos tendem a ganhar volumes, em certos casos volumes exagerados adquirindo um visual pesado, os saltos finos não saem de cena, estes podem ser encontrados em modelos com altura superior a 7 ou 8 centímetros. Detalhes inesperados como alto relevo, ou estrutura diferenciada valorizam os modelos.

Na utilização do salto podemos classificá-los em 3 categorias:
•Clássica/Elegante – Salto alto, fino ou meio fino;
•Casual – Salto alto ou médio, volume maior;
•Esporte/Tecnológico – Pouco ou quase nenhum salto.

Nos solados poderemos encontrar estampas mais requintadas, lembrando até efeitos piead-poule, ou com toque especial de impressões, desenhos em relevo e imagens que dão um caráter exclusivo aos produtos.

O quesito enfeites fica representado pelos metais, metais estes que nunca deixaram as coleções de calçados com as fivelas, ilhoses, passadores, zíperes e outros, tradicionalmente os metais são mais empregados nas coleções de inverno, o que realmente muda de coleção para coleção é a intensidade do seu emprego, seus banhos, tamanhos e formas. Com a tendência cada vez maior de tornar o calçado um produto nobre, os metais também sofrem uma grade transformação, pois há uma necessidade de torná-los bijuterias finas, ou até mesmo em semi-jóias. Os metais podem variar de tamanhos entre os grandes, médios e pequenos, mas como peças únicas e devem ser aplicados de forma discreta, em alguns casos, podem ser forrados tornado-os ainda mais discreto e criando uma mescla com o cabedal. O ouro e níquel são os banhos em destaques geralmente foscos, já o prata perde força e aparece apenas com os tons acinzentados, os banhos escurecidos também têm seus espaços assegurados. As formas cada vez mais geométricas principalmente arredondadas podem conter texturas em relevos com motivos arabescos ou texturas inesperadas, as formas retas ganham banhos ultra polidos.

Outros ornamentos e adornos poderão ser encontrados como: Bordados aprimorados com canutilhos, miçangas, vidrilhos, cristais, pérolas e pedrarias rebuscadas, além de uso de resina.

Fonte: www.artigonal.com


A História Dos Calçados No Século XX

1900 a 1909

Nos primeiros anos do século XX, todas as atenções e preocupações estão voltadas ao progresso, uma vez que este traz um modo de vida inédito e “Moderno”, traz também uma grande revolução cultural e social.

Este período é chamado freqüentemente a “Era de Edwardian”, que faz referência ao rei Edward VII, o sucessor de Rainha Victoria. A sofisticação estética clássica deste período foi conhecida como “Belle Epoque” ou “Idade Bonita”.
•Paris era o centro mundial da moda;
•Picasso estava em seus períodos azuis e rosas;
•Santos-Dumont e os irmãos Wright, faziam história de aviação;
•São Francisco nos Estados Unidos foi devastado por um terremoto em 1906;
•Fotografia alcançada o auge no primeiro filme narrativo;
•É lançado O Grande Assalto ao Trem (1903).

As mulheres inspiram-se no ideal de beleza de "Gibson Girl", popularizado pelos desenhos de caneta tinteiro do artista Charles Dana Gibson de sua esposa Irene, jovem, muito bonita, sempre bem vestida e elegante, com uma cintura minúscula e penteados altos em seus cabelos. Ela também gostou de andar de bicicleta, enquanto exibia um espírito independente, completamente moderno. Para ter uma cintura minúscula, as mulheres passavam por imensas torturas proporcionadas pelos espartilhos.

Como todas as atenções do início da década estavam voltadas à parte superior do corpo, isto fez com que as pessoas desenvolvessem uma atração por pés estreitos, acreditando-se que isso era sinal de inteligência. Algumas mulheres chegaram ao absurdo de terem seus dedos menores removidos, para alcançar “os pés narrower”.

Durante o dia os calçados mais utilizados eram as botas, já à noite os modelos eram mais diversificados, tendo como destaque o scarpin de salto baixo estilo Luiz XV. Estes recebiam adornos frenqüentes como: Aplicações, bordados com fios metálicos, pedraria e outros.

As botas destinadas ao uso noturno, bem como as das crianças, eram confeccionadas de materiais macios como cetim, além de fitas, tiras e carreiras de botões que embelezavam as canelas.

Os sapateiros eram muito requisitados durante esse período, muitas pessoas tinham apenas um par de sapatos, principalmente os homens, os quais um par de sapatos durava anos. Com a implementação da Revolução Industrial, surgem às indústrias calçadistas que logo ampliaram a produção, tornando os preços mais acessíveis e facilitando assim, a aquisição de calçados pelas camadas menos favorecidas, Em um curto espaço de tempo, somente os ricos poderiam dispor de calçados feitos sob encomenda.

1910 a 1919

Primeira Guerra Mundial definitivamente foi o evento mais dramático da década, mas vários outros fatos importantes marcaram este período:
•Movimento pelo voto das mulheres;
•A grande epidemia de Gripe de 1918;
•Profundas mudanças na sociedade americana;
•O Titanic afundou na viagem inicial em 1912;
•O movimento Arts & Crafts de Lloyd Wright Honesto;
•O Cinema Mudo consagra estrelas como Charlie Chaplin e Mary Pickford.

As feministas decretam o fim dos espartilhos, estes foram substituídos por vestidos que assumem dimensões menores e inteiras, as saias imitavam saias de "harém" do Oriente Médio, ou seja, de comprimento até os tornozelos. Paul Poiret estilista de grande destaque, influenciado pelas tendências Orientais foi duramente criticado. Algumas saias eram tão estreitas que era quase impossível mover.

Os calçados e as meias, também ficaram mais exóticos e coloridos, Poiret influencia Perugia, que cria uma coleção com estilo Oriental, enfeitadas com jóias.

A Grande Guerra (1914 a 1918) mudou a vida das pessoas de modo dramático. Homens foram lutar na Europa e as mulheres passam a integrar os quadros de funcionários das indústrias, necessitando de calçados mais práticos e confortáveis.

Como parte dos esforços de guerra, as coleções de calçados e vestuário são encorajadas a serem menos frívolas. O vestir e o calçar ficaram mais utilitários e com um ar masculinizado, logo os comprimentos dos vestidos e saias começam a subir devido à escassez de tecido que toma o marcado devido à guerra. Até mesmo os teatros mais tradicionais, declaram opcionais ou desnecessários os trajes de gala.

Os calçados dos homens e mulheres ainda continuavam bastante semelhantes, as botas atadas sobre as pernas voltam à moda.

Neste momento aumenta bastante a variedades de materiais utilizadas na confecção dos calçados, inclusive couros misturados a telas coloridas ou gabardine para forma aspectos de tons harmonizados, alguns couros foram invertidos para formar camurças e suedes, os enfeites ficavam a cargo de fivelas removíveis em aço, filigree prateados, diamante e marcasite.

Com o fim da guerra a moda sofre uma drástica mudança, a roupa esporte começa a se popularizar e logo passou a ser incorporada no cotidiano. Nos Estados Unidos com o desenvolvimento da borracha, desenvolveu-se o primeiro tênis, chamado de “Keds” em 1917.

Neste momento as indústrias inicializaram a produção de todos os estilos de calçados, portanto a moda calçadista nunca mais seria a mesma.

1920 a 1929
Devido a inúmeras mortes de jovens durante a guerra, criou-se um culto a adolescência que lhes atribuiu uma liberdade antes nunca permitida, o que os permitiu acompanhar:
•A proliferação do “jazz” devido a influência Afro-Americana;
•O desenvolvimento de meios de comunicação de massa;
•O direto feminino ao voto;
•O uso da maquiagem;
•Era considerado divertido fumar.

Clara Bow, Louise Brooks, Rudolf Valentino e Josephine Baker eram estrelas populares do tempo, os quais personificavam muitos dos ideais modernos.

O movimento “Art Déco” influencia diretamente nas estampas e no corte geométrico.

No vestuário, as saias encurtam e chegam a seu ápice em 1927, sendo que as jovens esforçavam-se para exibir os joelhos, algo inimaginável e angustiante para os antepassados provenientes dos tempos Vitorianos. Algumas jovens chegavam a aplicar ruge nos joelhos sob as meias-calças, para assim simularem colegiais rebeldes.

Ainda sob a influência do “Art Déco”, os estilos elegantes de Madeleine Vionnet e Coco Chanel influenciariam para sempre a moda. Chanel cria o “tailleur”, simplificando o visual feminino com o pretinho básico e cabelos curtos, tendo como referências do vestuário masculino. Cria também os calçados “brogue” inglês, bicolores com salto para mulheres e ainda cria também, o desenho de um calçado aberto no calcanhar que se torna um "clássico" o calçado modelo "chanel". Ela escolhe e desenha biqueiras em tons escuros nos calçados claros, utilizando cores a flor da pele diminuindo assim a proporção dos pés.

A aristocracia européia se estabelece, os novos burgueses europeus e os novos-ricos americanos passam a exigem diversidade de modelos, com isso a produção em massa desenvolve-se, originando novas tecnologias e materiais sintéticos que logo são incorporados na fabricação destes calçados. No entanto, a produção artesanal de calçados não é abandonada e a alta-costura do calçado sob medida sobrevive.

Tecidos brilhantes, enfeites metálicos e couros brilhantes tingidos criavam alguns dos calçados mais excitantes já vistos. Vários outros requintados materiais são incorporados na fabricação destes calçados como: Ricos brocados, cetim, seda, veludos, fios metálicos e bordados. Os saltos de sapatos eram freqüentemente obras de arte em eles.

Os pés tornam-se o foco da moda. O Charleston influencia diretamente os calçados, pois a dança exigia um calçado com boa estabilidade, sendo ele fechado e seu salto baixo.

Os calçados têm as seguintes características: Modelo boneca, bicos arredondados, fechamentos em botões, bicolores, laços e peles como ornamentos, os saltos são grossos e baixos, explora-se o contraste entre as texturas, brilho versus opaco.

Sobre a base do “decolletée”, no clássico “scarpin”, colocam-se saltos mais altos e com desenhos mais diversificados, a produção em escala chega aos calçados, mas a produção artesanal não é abandonada, a alta-costura em calçados sob medida sobrevive.
Os novos estilistas criam uma nova era para o calçado, reinventam formas e transformam o calçado em objeto de desejo. Chanel, Poiret, Dior e Schiaparelli são nomes importantes e responsáveis por estas transformações.

1930 a 1939
O crash da Bolsa de Valores de New York em 1929, que resultou na “Grande Depressão” afetando todo o mundo. Na Europa o interesse pelo comunismo vinha ganhando espaço e Hitler estava se preparando para vir assombrar o mundo novamente.

No cinema é rompido o silêncio com a chegada do cinema falado, trazendo consigo as estrela como: Jean Harlow, Greta Garbo, Fred Astaire, e os Marx Brothers que proveram um repouso a tristeza.

O glamour de Hollywood ajudou atenuar um pouco os problemas econômicos e políticos, mas devido às estes problemas houve a escassez de muitas matérias-primas entre elas o couro e a borracha, obrigando a busca de novos materiais.

O surgimento do movimento surrealista vem por fim as influências do “Déco” na moda. Surgindo daí uma propensão aos dramas e fantasias, elem de impressões exóticas e com certos ares orientais.

A moda estava renovada, leve e fresca sob pesada influência de Madeleine Vionnet e pelas quebras de preconceitos. Tecidos para os trajes noturnos eram luxuosos, drapejados lindíssimos, brilhos e peles completavam um belíssimo visual. A diva do cinema Jean Harlow, simboliza o sonho com vestidos longos e decotados.

Porém muitos viveram tempos difíceis com orçamentos bem apertados. O vestuário passou a ter um único propósito, o de vestir. Tendo um guarda roupa bem reduzido e muito bem aproveitado, é neste momento que as mulheres passam a utilizar calças compridas sendo estas reconhecidas como o casual.

Esta década experimentou todas as cores possíveis na época desde as sombrias como castanho, preto, marrom e marinho, inclusive o rosa pink utilizado por Elsa Schiaparelli.

Os estilistas fazem experiências na moda calçadista, criando as plataformas que fazem sua estréia em pleno século XX. Criados por Salvatore Ferragamo e André Perugia, estas plataformas foram criadas em madeira, cortiça e outros materiais. Devido à escassez de couro e borracha, tiveram que adotar materiais até então considerados ordinários na fabricação de calçados, como a ráfia, o celofane, o crochê e o plástico.

Ferragamo é sem dúvida o nome de destaque, pois é ele o responsável pela introdução do uso interno do aço para suportar o arco do pé (alma de aço), possibilitando a utilização de saltos altos.

1940 a 1949
Todas as atenções e pensamentos estão voltados para a Segunda Grande Guerra, até mesmo Hollywood seria afetada, com seus filmes e propagandas impulsionando moralmente os serviços militares. Algumas de suas estrelas eram transportadas junto aos militares, ou mesmo eram levadas para entretê-los, a menina de Pin-Up se tornou um fenômeno, milhares de soldados aclamaram por fotografias de Betty Grable, cujo estúdio de cinema teve as pernas dela asseguradas por U$1 milhão.

A moda incluiu uma silhueta austera, o estilo militar com os tailleurs retos, quadris estreitos, ombros largos, sutiã com bojo para avolumar os seios, chapéus de todos os estilos, bolsas grandes e sapatos pesados. As saias eram mais curtas, com pregas finas ou franzidas, as calças compridas invadem definitivamente o guarda-roupa feminino.

O vestuário do proletariado torna-se comum a todas as classes, uma vez que mulheres de todas as posições sociais unem-se para contribuírem nos esforços de guerra. Elas assumiram o controle das casas, e ainda partiram para ocupar os postos de trabalhos deixados pelos maridos e outros parentes que partiram para a guerra. Barreiras de classe caíram e as pessoas vestiram de forma simples e muito parecida. Essa forma simples de vestir-se em tempos de escassez, passou a ser visto com bons olhos e considerado chique.

É nesta época que surge o chamado "ready-to-wear" (pronto para usar), que é a forma de produzir roupas de qualidade em grande escala.
Os estilistas tiveram que se desdobrarem e serem muito criativos, chegando a criarem máscaras de gás graciosamente decoradas para serem utilizadas com trajes de gala.

A utilização do couro foi restringida ao uso militar, forçando os estilistas que se desdobrarem e serem muito criativos, então passam a incorporar nos calçados varias tipos de materiais antes não utilizados como: Peles de répteis, cortiça, solados de madeira presos por grampos, os ornamentos foram mantidos um mínimo necessário. Algumas mulheres chegaram a utilizar alguns utensílios domésticos para decorarem seus sapatos de festas como o celofane e outros.

Tudo era reciclado, enquanto criava-se a campanha com o tema “Make Do & Mend”. A escassez de tecidos fez com que as mulheres tivessem de reformar as suas roupas e utilizar materiais alternativos na época, como a viscose e as fibras sintéticas. O nylon e a seda escasseavam, fazendo com que as meia-calças desaparecessem do mercado e fossem trocadas pelas meias soquetes ou pelas pernas nuas, revistas e salões de beleza ajudavam oferecendo dicas de como simular a utilização destas meia-calças pitando uma costura na parte de trás das pernas e utilizando maquiagem nas pernas a fim de deixá-las com uma tonalidade igual ou próxima as das meia-calças. Algo pouco prático como um ritual contínuo.

Fábricas de bens de consumo foram transformadas em fábricas de produção militar. Esses esforços de guerra impunham várias limitações e regras tais como altura máxima do salto do calçados em uma polegada e apenas seis cores.

Em 1947, Christian Dior lançou o “New Look”, que era, basicamente, composto por saias amplas quase até os tornozelos, cinturas bem marcadas e ombros naturais. Era a volta da mulher feminina e elegante.

1950 a 1959
Os aliados saem vitoriosos de uma amarga. As televisões começam a invadir as residências e os programas “Eu Amo Lucy” e “Recém Casados” refletem os ideais deste novo tempo. As estrelas como Marilyn Monroe, Brigitte Bardot, e Elvis Presley introduziu sex appeal em uma sociedade bastante conservadora.

Consumismo se tornou um passatempo popular nos anos 50, como o “boom” do pós-guerra proveu um senso de otimismo econômico. Novos dispositivos e produtos proclamaram o futuro e libertaram muitas mulheres de tarefas domésticas bastante árduas. Os serviços domésticos não pareciam tão ruins quando se tinha fogões elétricos, aspiradores de pó e refrigeradores.

As mulheres poderiam concentrar seus esforços em ter uma casa confortável para as famílias e ainda sobrava tempo para ter uma vida fora da cozinha, como reuniões constantes para churrascos, coquetéis e outros eventos sociais.

A reconstrução da Europa durante o pós-guerra foi um dos grandes incentivadores do consumo de moda, trazendo a volta do estilo glamoroso com saias amplas e tomara-que-caia. O “New Look” de Christian Dior influenciou moda, bem como a elegância conservadora de Coco Chanel. A camiseta ganha status com James Dean e Marlon Brando.

Os adolescentes novamente eram o foco. Filmes como “Rebelde sem uma Causa” influenciavam o modo de vestir dos adolescentes. A cultura Beatnik inspiradas por autores como Jack Kerouac, estava em evidência. A jaqueta de couro, a calça Levi’s e os tênis ajudam a compor o “look”. As famosas saias poodle, juto aos rabos-de-cavalo, tênis coloridos com aspectos envelhecidos, sandálias, sapatilhas e outros calçados casuais entravam em evidência devido às crescentes atividades ao ar livre a as festas a beira das piscinas.

Nos calçados os bicos redondos, as plataformas em madeira recobertas de couro dominam, até que Charles Jourdan lançou o salto agulha em 1951, o famoso “stiletto” e junto aos bicos finos alongados deixaram os calçados femininos muito delicados, por conseqüência, decretando o fim dos calçados mais robustos de anteriormente. Grandes nomes elaboram propostas para este novo tipo de calçado, surgem variedades de formas e materiais, além da utilização de uma enorme gama de cores, mas sem dúvida, foi da interlocução entre Christian Dior e seu colaborador Roger Vivier, que originaram o conceito de vestir os pés e alongar as pernas, uma vez que o calçado se transforma em uma continuação da perna. Perugia, Ferragamo e Jacques Fath, são nomes importantes neste período e através do trabalho destes estilistas elaboram-se novas formas, bicos, desenhos de salto e proporções para os calçados nesta década.

1960 a 1969
A década de 60 teve um inicio bastante modesto, mas muitas mudanças viriam, os conflitos e divergências vinham crescendo, embora boa parte da população vivesse tempos felizes. Jackie Kennedy era uma enorme celebridade, afamada por sua gentileza e por sua elegância, marcada pelos clássicos ternos de Chanel.

A década é marcada pela emancipação da mulher com a invenção da pílula anticoncepcional, além do "boom" econômico que é percebido pelo grande e rápido desenvolvimento de estilos.

O movimento dos Direitos Civis estava preparando-se, bem como o movimento “Rippie”. Música, literatura e arte sofreram grandes mudanças. Os Beatles, Bob Dylan, Motown e Andy Warhollogo viraram ídolos de uma sociedade que clamava por mudanças.

As pessoas tinham sede de liberdade social e auto-expressão. O estilo fashion dos Kennedy que há pouco era modelo para todos, logo foi descartada, abrindo possibilidades para novos experimentos e novos estilistas como Mary Quant, muito conhecida como introdutora da míni-saia, vestido bem curtos apresentados com botas longas e justas, utilizando também estampas geométricas, todos estes muito utilizados pela modelo Twiggy. Surgiam também o Biquíni e o jeans.

Com o interesse crescente pela lua e a ascensão da NASA, os looks especiais influenciariam a moda que adotou materiais futuristas. Enquanto alguns estilistas olhavam para o futuro, outros buscavam inspirações em culturas antepassadas. Depois do êxito do movimento rippie a moda exigiu formas mais orgânicas e confortáveis para todos os ambientes.

Yves Saint Laurent, o "enfant prodige" da alta-costura e aluno de Dior, veste as mulheres com uma forte e dinâmica sensualidade, saltos mais baixos e bicos arredondados, sendo que os calçados refletiram a experimentação excessiva de cores cítricas e dos arco-íris, textura, forma e estilo. Os materiais evoluíram o conforto, a maciez, as condições de impermeabilidade, a transpiração e os acabamentos destacaram-se nas indústrias do setor. A atriz Audrey Hepburn difundiu a "ballerina", famoso sapato baixo de bico arredondado. Neste momento o “mocassim” preto inspirado nos estudantes de Oxford aparece e domina o gosto dos rapazes.

1970 a 1979
Os anos 70 foram tempos intensamente tumultuosos onde podemos destacar:
•As diversidades de culturas e subcultutas;
•O cinismo aflorou com a militância feminista;
•Os direitos civis;
•O escândalo de Watergate;
•A guerra do Vietnã.

A cultura jovem é predominante, a violência dos jovens da década anterior abre caminho para uma cultura da não-violência, cuja ideologia pregava um mundo sem guerra, baseado em vida comunitária com estreita ligação com a natureza, onde a filosofia oriental foi difundida, em paralelo a isto, a era disco propõe roupas práticas para o dia e sexy para a noite. A TV ocupa o lugar do cinema e seriados como “As Panteras” e outros ditam os modismos.
Ícones culturais como “Mulher Maravilha” criaram o interesse por botas, que podiam ser utilizadas com calças justas ou saias curtas.

Em muitos casos a maneira de vestir-se era utilizada para chocar, sem dúvida o movimento “Punk” e o “Glam” levaram isto ao extremo. Muitas peças do vestuário foram inspiradas em motivos folclóricos e étnicos, houve também uma larga utilização das cores e as extravagâncias reinaram.

Estas influências deram para os estilistas muita munição e o público estava ansioso para a mais recente onda da moda. Os estilistas então puderam experimentar e extravasar nas criações dos calçados, onde estrelas como Elton John, David Bowie e Cher, foram adeptos a estas novas criações.

Estilistas como Biba, Ossie Clark e Yves St. Laurent buscaram inspirações históricas na década de 40 e em outros séculos passados.
Os calçados foram levados as alturas através das novas plataformas e saltos que chegaram a alcançar cerca de 20 cm. As botas utilizavam materiais brilhantes, texturas, desenhos psicodélicos ou florais, mas eles raramente eram enfadonhos. Outros estilos de calçados foram utilizados nesta época como os chinelos, as sandálias e botas de cowboy ou patchwork, entre os materiais mais utilizados estavam os vernizes com muitos brilhos e cores contrastantes, além da ráfia, juta, couros com acabamentos naturais com cores neutras, os saltos baixos ou altos, mas sempre grossos, os bicos geralmente arredondados.

O filme “Embalos de Sábado a Noite”, impulsionou a era “Disco”, embora esta tenha durado pouco tempo, foi tão intensa que virou um símbolo da década.

Ainda nesta década aconteceu a influência das atividades esportivas. O culto à forma física elege o tênis como calçado popular e é grande o desenvolvimento tanto quantitativo quanto qualitativo deste produto, sedo que em 1972, surge a Nike. As primeiras grifes se destacam como: Fiorucc e Benetton e se difunde o estilo unisex.

1980 a 1989
Os excessos foram sem dúvida a marca dos anos 80. Seriados de TV como Dallas e Dynasty, exibiam seus personagens com uso excessivo de jóias, deixando muitos espectadores fascinados.

Com a ascensão dos ”Yuppies”, o poder era o negócio, isso deu origem ao consumismo desenfreado e muitos proclamavam o amor as indulgências e investiam orgulhosamente na aparência e consumiam muitas grifes de luxo. Estas grifes e estilistas em parcerias com os profissionais de comunicação se apresentaram para conhecer as necessidades e demandas destes novos consumidores e de posse destas informações passaram sugerir e ditar a moda e difundiram a cultura das lojas de departamentos. O novo estilista passou a ser um personagem das relações sociais, das crônicas da vida contemporânea e um capricho da vida cosmopolita. Abre-se a porta para o fashion show.

É ainda neste momento que surgem o termo “Top Model”, simbolizadas por Cláudia Schiffer, Cindy Crawford e Naomi Campbell.

As mulheres passaram a exigir alternativas aos calçados de saltos altos. Uma vez que a imagem da mulher bem poderosa e bem vestida estava ligada diretamente a eles, algumas mulheres buscaram inspirações para seu guarda-roupa, na simplicidade das roupas masculinas. Em conseqüência há isto, os calçados têm seus saltos reduzidos e as cores perdem sua vivacidade e voltaram-se aos tons escurecidos e clássicos.

Em contraste ao clima empresarial conservador, as vivacidades das cores tornaram-se a marca do “Casual” da época. Não havia nenhuma cor tímida, sejam elas primárias, cítricas ou fluorescentes. O movimento “New Wave” com as bandas e artistas como Culture Club, Boy George, Madonna e Michael Jackson encorajaram a moda com seus figurinos.

Nesta década houve dois estilos muito distintos, o maximalismo uma moda bastante extravagante de cores cítricas onde o contraste entre cores vivas eram bastante intensas, este momenta da moda dentro da década se deu em seu início e segue bastante evidente pelo menos até seus meados, onde nesta época começa a surgir outro momento o minimalismo onde a influência japonesa toma conta da cena, alguns denominam este momento como “japonismo” ou “niponismo”, onde vários estilistas japoneses se destacam, implementando novamente o conceito do pretinho básico, onde os pretos, cinzas e branco roubam a cena, tendo como seu maior símbolo no calçado o “scarpin” básico liso e preto de salto baixo ou médio.

Durante algum tempo, não se encontra mais um único estilo definido, é na busca, na descoberta, seja de caráter estético ou propriamente técnico que se prende o desenho dos calçados e peças do vestuário dos anos 80.

Neste caso o calçado não pode mais ser considerado simplesmente um acessório de moda, ele toma vida própria, os detalhes valorizam o planeta-calçado.

Foram reinventados mocassins, espadrilles, e outros estilos de calçados já existentes, utilizando-se de novas paletas de cores. As sandálias de plástico eram moldadas em vastas variedades de cores, que também foram uma grande moda passageira. Porém todos esses excessos estavam tornando-se cansativos.

É nesta década que surge a invasão da moda esportiva, os e o culto à forma física e a popularização dos tênis.

1990 a 1999
A diversidade foi o conceito fundamental nos anos 90 e sua influência é refletida muito obviamente na moda. Os indivíduos passaram a executar uma variedade de atividades diárias, as quais muitas destas atividades requeriam calçados diferentes. Botas, tênis, sandálias, chinelos, tamancos, sapatos e outros. Logo os estilos destes, não estavam limitados a poucas variações e eram comuns estas variações em todas as ocasiões.

As top models que surgiram nos anos 80 viraram ícones de beleza a serem imitados.

Companhias como Skechers, Nike e Birkenstock, tiveram muito êxito ao construírem suas marcas associando-as aos eventos sociais, atividades esportivas e consciência ecológica, originando assim uma fidelização de muitos consumidores.

Ainda no início desta década, surgiu o movimento “Grunge”, mais uma vez tem o jovem como o personagem principal, garotos e garotas passaram a utilizar calça jeans rasgada, camisa xadrez e tênis, os quais acabaram tendo uma popularização. Muitas bandas surgem e ganham destaques, como Guns n’Roses, Nirvana e Skid Roll, ainda muitos esportes radicais são associados a este movimento, sendo o “Skate” o que mais destacou-se.

Os calçados da década foram marcados pela releitura geral de estilos, formas, saltos. Valia praticamente tudo, desde que a peça ou calçado fosse coerente ao estilo do indivíduo.

Mesmo com essa releitura de todas as décadas do século XX, pode-se destacar o “revival” dos anos 50 no trabalho de Ferragamo para Dior, uma busca sensual nos sapatos em peles exóticas de Andréa Pfister, a constante busca de originalidade nos trabalho de Sergio Rossi, um certo gosto barroco em Gianni Versace, visão futurista nas coleções de Jean Paul Gautier, um refinado senso de exotismo nos trabalhos de Romeo Gigli e aparece um cidadão “hippie ou folk” para Viviane Westwood, podendo ser atribuída a ela o retorno das plataformas, que nesta época passaram a ser produzidas em PU (Poliuretano).

Século XXI
No século em que estamos (XXI), o sapato é obra do design, continua sendo objeto de beleza, que deve ser aliado ao conforto e a praticidade, a fim de agradar os gostos e necessidades dos consumidores, marcando mais uma vez uma parte da história.

Em futuro bem próximo poderemos encontrar um calçado exato para cada pé e personalidade, e se não o encontrarmos poderemos solicitá-lo e ele será fabricado em escala industrial, mas de maneira personalizada. Poderemos escolher os componentes que me melhor nos convier e poderemos participar da ação de personalizá-los.

Fonte: www.artigonal.com




A História Dos Calçados Até O Século XIX

Nós humanos somos extremamente jovens se comparados com alguns animais. Por algum motivo desconhecido, a natureza não foi tão generosa com nossos pés quando se comparado com as patas de outros animais, como as macias patas dos gatos e cachorros, ou a resistência dos cascos de cavalos e outros. Assim sendo, o calçado nasce da necessidade prover proteção aos pés do homem para que estes pudessem se locomover sobre terrenos ásperos e em condições climáticas desfavoráveis. É bastante provável que os calçados pré-históricos eram compostos por folhas de plantas, cascas de árvores, cipós, peles e couros de animais.

Não há dúvidas de que os calçados são uma das grandes paixões femininas. A preocupação com o adorno dos pés acompanha a humanidade desde períodos pré-históricos. Em muitas culturas ou sociedades, os calçados foram e são sinônimos de indicadores de posição social e status econômicos, pois não nada mais desagradável do que um pé mal calçado, mesmo que se esteja vestindo uma roupa de milhares de dólares. Os pés são além de ponto estético, uma área de grande sensualidade em todas as culturas. Freud postulava que o calçado feminino simboliza a vagina. O ato de calçar os sapatos, portanto, seria uma simbologia do ato sexual.

Há países ao redor do mundo, que a maioria da população ainda não utiliza o calçado em seu dia-a-dia, ficando este associado a ocasiões especiais.

Alguns historiadores datam os primeiros calçados entre 3.000 A.C. e 2.000 A.C. no Antigo Egito, mas resquícios históricos encontram evidências no Período Paleolítico, também conhecido como Idade da Pedra Lascada, sendo que estas evidências datam entre 14.000 A.C. e 10.000 A.C., uma vez que pinturas rupestres encontradas na Europa em países como França e Espanha, fazem referencias a utensílios utilizados para a proteção dos pés deste homem pré-histórico.

Estas datas entre 14.000 A.C e 10.000 A.C. podem ser atribuídas à divisão do Período Paleolítico, como Paleolítico Superior, onde o homem já era obrigado a morar em cavernas, devido ao intenso resfriamento da Terra, principalmente no norte da Europa que ficava coberto pelo gelo em conseqüência da 4ª Era Glacial. O Homem deste período é o Homem de Cro-Magnon, que já é o homem propriamente dito. Caçava animais de grande porte como mamutes e renas, utilizando para isso armadilhas montadas no chão. Já nesta época utilizavam-se de alguns utensílios de pedra que serviam para raspar as peles, o que mostra que a arte de curtir couros e peles é muito antiga.

Já no Egito por vola de 7.000 e 6.000 A.C. nos Hipogeus (monumentos funerários subterrâneos do período pré-Cristão) câmaras subterraneas utilizada para enterros, foram descobertas várias pinturas que representavam os diversos etágios do preparo do couro e do calçado.

No Antigo Egito que inicia-se em cerca de 3150 A.C., altura em que se verificou a unificação dos reinos do Alto e do Baixo Egipto, e termina em 30 A.C. quando o Egipto, já então sob dominação estrangeira, transformou-se numa província do Império Romano, após a derrota da rainha Cleópatra VII na Batalha de Ácio, as sandálias dos egípcios eram feitas de palha, papiro ou de fibra de palmeira e era comum as pessoas andarem descalças, carregando as sandálias e usando-as apenas quando necessário. Sabe-se que apenas os nobres da época possuíam sandálias. Mesmo um faraó como Tutancamon usava sandálias e sapatos de couro simples, apesar dos enfeites de ouro.

Na Mesopotâmia eram comuns os calçados de couro cru, amarrados aos pés por tiras do mesmo material. Os coturnos eram símbolos de alta posição social. A Mesopotâmia nome grego que significa "entre rios" (meso - pótamos), é uma região de interesse histórico e geográfico mundial. Trata-se de um planalto de origem vulcânica localizado no Oriente Médio, delimitado entre os vales dos rios Tigre e Eufrates, ocupado pelo atual território do Iraque e terras próximas. Os rios desembocam no Golfo Pérsico e a região toda é rodeada por desertos. Os principais povos que habitaram as Mesopotâmia foram: Sumérios e Acadianos (antes de 2.000 A.C.); Amoritas (2.000 A.C.-1.750 A.C.); Assírios (1.300 A.C.-612 A.C.); Caldeus (612 A.C.-539 A.C.).

Na Grécia Antiga, os gregos chegaram a lançar moda, como a de modelos diferentes para os pés direito e esquerdo. Grécia Antiga é o termo denominado para descrever o período clássico antigo do mundo grego e áreas proximas como França, Sul da Itália, Anatólia, Costa do Mar Egeu e Chipre. Não existindo uma data fixa, ou se quer um consensso que consiga definir um período que marque o início ou o fim da Grécia Antiga. Alguns escritores atribuem o período minóico e o micênico entre 1.600 A.C. a 1100 A.C.. Tradicionalmente a Grécia Antiga abrange desde os primeiros Jogos Olímpicos em 776 A.C., sendo que alguns historiadores estende o começo para 1.000 A.C., até a morte de Alxandre, O Grande em 323 A.C.. O dramaturgo Aeschylus, exigia que seus atores que encenavam papeis heróicos nas tragédias gregas, utilizassem calçados com grossos solados de cortiça, para parecem grandes e imponentes, sendo que a partir daí, os artesões da Grécia Antiga criaram as sandálias artísticas.

Na Roma Antiga o calçado indicava a classe social. Os cônsules usavam sapato branco, os senadores sapatos marrons presos por quatro fitas pretas de couro atadas a dois nós, os calçados tradicionais das legiões eram as botas de canos curtos que descobriam os dedos, existiam também os “caligaes” uma espécie de sandália bastante rústica de couro pesado e solado grosso, muitas vezes presas com taxas de bronze, estes calçados permitiram a estas legiões marcharem por toda Europa, Norte da África e Ásia Ocidental. Após os combates eram comuns os caligaes receberem camadas de peles das faces de seus inimigos, que eram adicionadas aos seus solados, essa tradição foi herdada dos egípcios, onde eles assim podiam literalmente pisar nas cabeças em seus inimigos. Os soldados vitoriosos ao voltarem das guerras, substituíam as taxas e adornos de seus caligaes de bronze por peças de ouro e prata.

Roma Antiga é o nome dado à civilização que se desenvolveu a partir da cidade de Roma, fundada na península Itálica durante o século VIII A.C.. Durante os seus doze séculos de existência, a civilização romana transitou da monarquia para uma república oligárquica até se tornar num vasto império que dominou a Europa Ocidental e ao redor de todo o mar Mediterrâneo através da conquista e assimilação cultural, no entanto, uma série de fatores sócio-políticos causou o seu declínio e o império foi dividido em dois.

A metade ocidental, onde estavam incluídas a Hispânia, a Gália e a Itália, entrou em colapso definitivo no século V e deu origem a vários reinos independentes.

A metade oriental, governada a partir de Constantinopla passou a ser referida, pelos historiadores modernos, como Império Bizantino a partir de 476 D.C., data tradicional da queda de Roma e aproveitada pela historiografia para demarcar o início da Idade Média.

Com a desintegração do Império Romano do Ocidente, no século V (em 476 D. C.), é terminado com o fim do Império Romano do Oriente, com a Queda de Constantinopla, no século XV (em 1453 D.C.).

O período da Idade Média é marcada por uma grande mudança de compotamento, atingindo também a indumentária, onde os ensinamentos cristãos pregavam a não exposição dos corpos, diferentemente dos povos que os antecedoram, como os egípcios, gregos e romanos, os quais exibiam constantemente seus corpos. Essa drástica mudança na idunmentária atingiu também os calçados, onde as sandálias que esibiam os pés deixam de ser usadas, danado espaços botas altas e baixas, atadas à frente e ao lado para os homens, já para a mulheres, sapatos abertos que tinham uma forma semelhante a das sapatilhas. O material mais utilizado era o couro de gado, mas as botas de qualidade superior eram feitas de couro de cabra, embora pudessem ser bem mais desconfortáveis do que se possa imaginar, mesmo assim, os calçados estavam entre os presentas mais procurados neste período.

Tendo início as Cruzadas, veio o contato com o Oriente e a influência deste, causou mudanças nos estilos dos calaçdos, originando um calçado mais coerente e decorado. Surge neste momento os sapateiros, profissionais responsáveis por promover calçados de qualidades.

Durante a Idade Média, que sugiu a padronização da numeração dos calçados, tendo sua origem na Inglaterra durante o reinado de Eduardo I (1.239 a 1.307), por volta de 1.305, ele decretou que fosse considerada como uma polegada a medida de 3 grãos de cevada, colocados lado a lado. Os sapateiros ingleses gostaram da idéia e passaram a fabricar, pela primeira vez na Europa, sapatos em tamanho padrão, baseados no grão de cevada. Desse modo, um calçado infantil medindo treze grãos de cevada passou a ser conhecido como tamanho 13 e assim por diante.

O Renascimento identifica o período da História da Europa aproximadamente entre fins do século XIII e meados do século XVII, quando diversas transformações em uma multiplicidade de áreas da vida humana assinalam o final da Idade Média e o início da Idade Moderna. Apesar destas transformações serem bem evidentes na cultura, sociedade, economia, política e religião, caracterizando a transição do feudalismo para o capitalismo e significando uma ruptura com as estruturas medievais, o termo é mais comumente empregado para descrever seus efeitos nas artes, na filosofia e nas ciências.

É durante o Renascimento que os calçados tamam formas e alturas bastante interessante, chegando a ser descrito por muitos como extremamente ridículos. Entre os séculos XIV e XV, surgem as “poulaines”, difundidas em toda a Europa e principalmente na França e Inglaterra, este calçado caracterizava-se pelo estreitamento e alongamento das pontas, bicos. O comprimento do bico do calçado era proporcional à posição do indivíduo na sociedade, quanto mais alto o nível na escala social, maior o bico e se tornou uma competição hierárquica. Eram fabricados em couros, veludos, brocados e bordados em fios de ouro. Até as armaduras seguiram esse gênero com sapatos de ferro e bico revirado. Foi rei Francisco I (1.515 a 1.547) da França, quem decretou o fim deste tipo de calçado e ainda no século XV, este tipo de pontas aguçadas foi proibido pelo rei da Inglaterra Henrique VIII (1.509 a 1.547), por ter pés largos e inchados, achava esse tipo de calçado achava inconveniente e doloroso. A partir daí, são aceitos os chinelos rasteiros com base larga e muito mais confortáveis.

A ascensão da burguesia nos séculos XV e XVI, devido ao desenvolvimento do comércio originou nova classe social. O desenvolvimento deste comércio trouxe diversidade de peças do vestuário, inclusive os calçados, tornando-os mais diversificados, refinados e complexos. O calçado aparece como peça bastante trabalhada e passa a ser peça indispensável no vestuário. Quase sempre cada roupa exige um calçado e este é fabricado com os mesmos tecidos e ornamentos.

Os calçados masculinos têm as formas quadradas e largas, mais cômodas que no século anterior permitindo assim, maior transpiração e conforto para os pés. As botas que inicialmente exclusivo de uso dos exércitos, chegavam a atingir a coxa.

Iniciou-se neste período o uso do salto que foi criado para elevar a altura das mulheres, os primeiros saltos foram confeccionados em cortiça em forma de cunha, acompanhando o formato do arco do pé, elevando a altura apenas no calcanhar. Existem diferentes opiniões a respeito dos saltos altos, alguns como origem das "chopinas" (blocos de madeira utilizada como base/solado, onde o calçado era confeccionado), provenientes da China ou Turquia, eram sandálias com plataformas onde a altura dos solados apontava o nível social e chegava a atingir 40 cm. Havia casos de senhoras da corte que elevaram suas plataformas até 70 cm e precisavam às vezes de dois criados, um de cada lado para conseguir o equilíbrio, as chopinas foram inicialmente utilizadas pelos nobres, passando pela burguesia e chagando as camadas sociais mais baixas, daí foram desprezadas pela elite, sendo que as últimas as utilizarem as chopinas foram às prostitutas.

As plataformas e os saltos altos estão desde a Antigüidade associados a situações solenes e rituais, quando todo o universo gestual e os movimentos corporais, na época bastante contidos, estão relacionados a reverências e comportamentos formalizados. As mulheres mais observadoras imaginaram que suas silhuetas poderiam ganhar contornos mais sensuais com o calcanhar elevado, projetando o tórax para frente e dessa maneira ressaltando os seios. Até 1.600 não havia nada que realmente pudesse ser chamado de salto, nos anos de 1.590, até já tinham produzido alguns saltos baixos de madeiras ou cortiças, antes disso foram utilizados cunhos de cortiça ou empilhamento de camadas de couros, mas sem muito sucesso devido à dificuldade no caminhar. Uma vez com o surgimento do verdadeiro salto, com o conceito que conhecemos hoje, as outras formas de saltos desaparecem rapidamente. Em pleno século XVII, a fabricação de calçados com saltos originavam calçados com pouca estabilidade, causando freqüente falta de equilíbrio durante a utilização destes, isto devido às falhas na fabricação dos calçados principalmente na região de encaixe do salto, causando também problemas de emparelhamentos. Embora o desenvolvimento dos calçados desde o período Romano, já vinha sendo produzidos para pés direitos e esquerdos, porém a parte traseira dos calçados não havia diferenças entre os dois pés, então para dar mais estabilidades aos calçados com saltos, iniciou-se uma maior preocupação com detalhes e diferenciações entre pés esquerdos e direitos também na parte traseira. Durante a Guerra Civil Americana as botas dos exércitos passam a ser fabricadas com essa diferenciação entre os pés também na parte traseira e foi muito bem aceita.

É também neste período que é conhecida da manufatura do calçado na Inglaterra é de 1642, quando Thomas Pendleton forneceu 4.000 pares de sapatos e 600 pares de botas para o exército. As campanhas militares desta época iniciaram uma demanda substancial por botas e sapatos.

No apogeu veneziano, durante o século XVII, luxo e riqueza da influência oriental marcaram os materiais empregados na fabricação de calçados como os brocados, veludos e adamascados fartamente ornamentados. Neste momento surgem as "ciopines", que são calçados com as solas aumentadas com a invenção do "pattino", uma proteção para os delicados sapatos em contato com o solo e a água.

Na França, acontece um fato importante e particular, durante o reinado de Luiz XIV e de Luiz XVI, há introdução nos modelos de calçados masculinos de um salto mais alto e quadrado e também de fivelas e fartos ornamentos.

No século XVIII, a moda se estabeleceu de maneira sistemática e organizada como fenômeno cultural, social e de costume. São estabelecidas as variações do "gosto". Período de muita evolução e os calçados em produção artesanal passa a atender as novas exigências de praticidade e funcionalidade que a sociedade exigia. Ficam caracterizados diferentes ambientes como: Cidade, campo e estrada. Desta maneira, surgem os calçados para o trabalho, para o passeio e várias novas exigências que este novo consumidor necessita.

O estilo predominante dos calçados femininos neste período são as botas em couro ou cetim e trabalhadas de maneira intensa, com saltos robustos e fechamentos laterais, nos quais aparece quase sempre uma carreira de pequenos botões ou amarrações com laços. Nos masculinos todos em couro preto e com a presença do elástico, invenção deste período, que torna o calçar mais confortável. Neste momento a sola ainda era presa ao corpo do sapato com pregos e toda costura era feita à mão.

Com a chegada das Máquinas de Costuras Américas de Isaac Merrit Singer, Elias Howe e Walter Hunt no século XIX, o processo de costura não só acelerou o processo de produção como levou à confecção de um calçado melhor e mais barato. Durante a Revolução Industrial surgem as operatrizes especializadas, como a de McKay. Um fluxo incessante de máquinas sofisticadas revolucionou a indústria dos calçados, de tal modo que, no alvorecer do século XX, ela já entrara na era da produção em massa.

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História Dos Calçados Esportivos


Os calçados nascem da necessidade prover proteção aos pés do homem, para que estes pudessem se locomover sobre terrenos ásperos e em condições climáticas desfavoráveis. Ao longo da história, com a evolução humana os calçados também ganham novas formas, materiais, cores e etc. A utilização de diversos modelos passam a ser sinônimo de status e podem definir classes sociais, estilos de vida, ou até mesmo classe de trabalhadores. Logo os calçados passaram a ser um item comum no vestuário contemporâneo.

A exemplo da interessante história do calçado, ou até mesmo, da história dos saltos dos calçados, o calçado esportivo também um interessante história ao longo dos tempos. Há vestígios históricos que remetem a Antigüidade Clássica, termo este utilizado para definir um longo período da história da Europa, que estende-se aproximadamente do século VIII a.C., com o surgimento da Poesia Grega de Homero, a queda do Império Romano do Ocidente no século V d.C., mais precisamente no ano 476. O que diferencia esta época das demais são os diversos fatores culturais das civilizações mais marcantes da história, a grega e a romana, ou Grécia e Roma Antiga.

A Antiguidade Greco-Romana não se vislumbrava qualquer diferenciação entre arte e técnica, o mesmo é dizer, entre artista e artesão. A teknê grega, bem como a ars latina referiam-se não só a uma habilidade, a um saber fazer, a uma espécie de conhecimento técnico, mas também ao trabalho, à profissão, ao desempenho de uma tarefa. O técnico era aquele que executava um trabalho, fazendo-o com uma espécie de perfeição ou estilo, em virtude de possuir o conhecimento e a compreensão dos princípios envolvidos no desempenho. Sempre associada ao trabalho dos artesãos, a arte era susceptível de ser aprendida e aperfeiçoada, até se tornar uma competência especial na produção de um objecto. Por não resultarem apenas de uma competência ou mestria obtidas por aprendizagem, mas sobretudo do bafejo de um talento pessoal, a composição musical e a poesia não faziam parte da arte.

Os calçados esportivos têm relação direta com as competições realizadas na Grécia, os Jogos Olímpicos da Antigüidade. Foi durante uma das competições, que alguns atletas se utilizaram de sandália feitas a partir de tiras de couro e obtiveram maiores êxitos do que outros que correiam descalços, pois até então, os grandes percursos e trajetos eram feitos descalços. Mais adiante, todos os competidores começaram a se utilizar destas sandálias e acabaram tornando-se comum entre a população.

Logo não demoraram a aparecer modificções nestas calçados, sendo que as primeiras modificações foram atribuida aos estruscos, povo este que viveu onde hoje é a Itália, na região ao sul do rio Arno e a norte do rio Tibre, então denominada Etrúria, mais ou menos onde hoje encontra-se a atual Toscana, e partes da Lácio e a Úmbria.

Não há uma exatidão de quando este povo instalou-se nesta região, mas alguns historiadores datam entre 1200 a 700 a.C.. Nos tempos antigos, os histiador Heródoto acreditava que os estrucos eram orinários da Ásia Menor, mas outros escritores posterioresconsideram-nos Italiano.

A Etrúria era composta por várias cidades-estados como: Volterra, Fiesole, Arezzo, Cortona, Perugia, Chiusi, Todi, Orvieto, Veio e tarquinia entre outras, todas cidades altamente vivilizadas que tiveram grande influência sobre os Romanos. Os últimos três reis de Roma, antes da criação da república em 509 a.C., eram etruscos. Há resquícios de prolonadas lustas entre Etrúria e Roma, terminado coma vitória de Roma próximos aos anos 200 a.C.

Aos estruscos é atribuída a invensão das palmilhas, que foram aplicadas nas sandálias gregas derivadas das competições, esta modificação nestes calçados, além de garantir maior conforto garantiam também uma maior aderencia do salado dos pés aos calçados. Também é atribuido aos estruscos, a utilização de tachas de metal na sola dastas sandálias oferecendo assim melhor tração e durabilidade.

Os romanos, já no século II, utilizavam tiras de couro que por meio de um conjunto de pinças, fixavam melhor a sandália. Nesse período, elas já tinham fins de uso cotidiano e esportivo.

A Idade Média foi tradicionalmente delimitada com ênfase em eventos políticos. Nesses termos, teria sido iniciado com a desintegração do Império Romano Ocidental, no século V (em 476 d.C.) e determinado com o fim di Império Romano Oriental, com a queda de Constantinopla, no século XV (em 1453 d.C.), sendo que neste período os calçados esportivos não obtiveram significativas mudanças. A vida nos campos limitava os camponeses a utilizarem sapatos e botinas apropriados às atividades rurais.

A Idade Modernaé um período específico da história do Ocidente. Destaca-se das demais por ter sido um poríodo de transição por excelência. Tradicionalsmente aceita-se o início estabelecido pelo historiadosres franceses em 1453, quando ocorreu a tomada de Constantinopla pelos turcos otomanos e o término com a Revolução Francesa em 1789, ainda neste momento o calçado esportivo ou o tênis ainda não era alvo de nenhum, ou quase nenhum tipo de inovação. Os calçados nesta época diferenciavam as condições sociais da população e quase nehum destes calçados, tinham uma função exclusiva na prática esportiva.

Com o ressurgimento da prática esportiva no Reino Unido no final do século XVIII, obrigou o desenvolvimento de calçados leves e flexíveis e com capacidade de tração, sugindo então no século XIX o sapato em couro com bicos/tachas para tração.

Somente no século XIX, os calçados esportivos voltariam à tona, a Spalding foi a primeira empresa a produzir um calçado designado especificamente para a prática esportiva, onde os atletas utilizavam um calçado com solado e cabedal em couro macio, com atacadores (cadarços), sendo que nos solados havia uma estrutura onde eram fixadas tachas para uma melhor tração.

O inventor norte-americano Wait Webster, patenteou em New York o processo de “aplicar sola de borracha índia em sapatos e botas”, assim esta novidade diminuía significamente o impacto causado pela prática esportiva e aumentava em muito a aderencia ao solo.

Charles Goodyear em 1939, nos Estados Unidos no intúito de melhorar a qualidade dos peus que sua empresa fabricava, descobriu a fórmula de preservação da borracha. Esta fórmula deu origem a vulcanização, que consiste geralmente na aplicação de calor e pressão à uma composição de borracha, a fim de dar a forma e propriedades do produto final. Sem dúvida é a fase mais importante da indústria da borracha.

Na vulcanização a borracha é aquecida na presença de enxofre e agentes aceleradores e ativadores. A vulcanização consiste na formação de ligações cruzadas nas moléculas do polímero individual, responsáveis pelo desenvolvimento de uma estrutura tridimensional rígida com resistência proporcional à quantidade destas ligações.

A vulcanização também pode ser feita a frio, tratando-se a borracha com dissulfeto de carbono (CS2) e cloreto de enxofre (S2C12). Quando a vulcanização é feita com quantidade maior de enxofre, obtém-se um plástico denominado ebonite ou vulcanite.

A determinação exata do método e das condições de vulcanização (tempo, temperatura e pressão), deverá ser feita não só tendo em vista a composição empregada, mas como também as dimensões do artefato a ser fabricado e sua aplicação. O estado de vulcanização afeta as várias propriedades físicas do artefato.

Algumas indústrias de calçados começaram então a substituir seus solados de couro pelos de borracha. Os novos calçados, mais leves e confortáveis, passaram a ser usados pelos bem-nascidos cidadãos da Costa Leste do país, em seus jogos de Críquete. Eram conhecidos como Cricket Sandals.

Entre 1860 e 1870, duas outras modificações apresentaram um esboço dos calçados esportivos conhecidos atualmente. O invento dos cadarços e da sapatilha, originalmente desenvolvida para a prática do ciclismo, oferecia grandes vantagens aos praticantes de esportes.

O desenvolvimento dos esportes e o “boom” da Revolução Industrial abriram portas para a criação da primeira empresa especializada em calçados esportivos. Em 1890, a Reebook foi criada pela família do empresário Joseph William Foster.

Nenhuma revista de moda, ou estilista, ou quem quer que seja que tivesse faro para distinguir que uma revolução no setor estava a caminho, se atreveu a fazer um mínimo comentário a respeito, simplesmente porque não parecia uma revolução, achava-se que era apenas um tipo diferente de calçado que, por certo, se incorporaria como outro modismo ao guarda-roupa da elite da época. Mas não se tratava de um caso de amor passageiro, o novo calçado, também conhecido como SNEAKER (o equivalente ao “tênis” ou “sapatilhas” em português) já em 1873, teve seu couro substituído por tecido. Com um preço mais acessível, o sneaker era vendido em lojas de departamentos e logo tornou-se popular, aparecendo no catálogo "Peck and Snyder Sporting Goods" a seis dólares o par. E em 1897 aparecendo no catálogo da “Sear’s”, contribuindo para que fossem considerados calçados esportivo por excelência.

Ao mesmo tempo, não perdeu a classe e em pés femininos, passou a ser usado nas quadras de tênis, era o calçado perfeito para acompanhar saques e corridas à rede. O tênis conquistou então seu nome definitivo, legenda e estandarte de um estilo de vida.

Já no século XX, o aparato tecnológico da Primeira Guerra Mundial, estabeleceu a criação de calçados impermeáveis feitos a partir de lona. O novo material propiciou maior conforto aos atletas e diminuiu o peso do tênis esportivo.

Em 1920, surge o primeiro calçado de corrida do mundo, mais leve e confortável, até então, as pessoas corriam, jogavam rúgbi e futebol com seus sapatos de todos os dias, pesados e desconfortáveis. Nesta época dois irmãos que moravam na cidadezinha de Herzogenaurach, na Alemanha. Adolf era introvertido e artesão nato. Rudolf era mais expansivo, com grande talento para vendas. Por serem tão diferentes, eles se odiavam e também por causa disso, não conseguiam se separar. Trabalhavam juntos, na pequena fábrica Gebrüder Dassler Schuhfabrik, que em alemão significa “Fábrica de Sapatos dos Irmãos Dassler” e dia após dia as brigas entre os dois irmãos se seguiam.

Mas nos negócios a união da qualidade do trabalho de Adi (diminutivo de Adolf) e do tino comercial de Rudi (Rudolf), dava muito certo. Eles tinham criado um tênis mais leve e anatômico do que os modelos pesadões existentes até então no mercado e essa invenção estava deixando a dupla rica, muito rica. Por isso, conseguiam se tolerar.

Foi assim até 1943, época do 3º Reich. Adolf era apolítico, filiado ao partido nazista por pura conveniência. Hitler incentivava o esporte na Alemanha e isso fizera crescer as vendas de tênis. Já Rudi era um nazista fanático. Em1943, a cidade de Herzogenaurach foi bombardeada pelos Aliados. Chegando ao abrigo antiaéreo, Adolf encontrou a família do irmão e comentou: “Os sujos bastardos voltaram”. A esposa de Rudi ouviu e achou que o comentário era endereçado a ela e ao marido. Não adiantou explicar a confusão: A relação entre os irmãos ruiu de vez.

Essa não é a única versão dos motivos da separação. Há quem diga que: Com o fim da guerra, Adi teria entregado o irmão aos Aliados. Mas não há nada confirmado. Certo mesmo é que, em 1948, Adolf Dassler aproveitou uma brecha legal para dissolver a parceria familiar e re-nomeou a Gebrüder Dassler Schuhfabrik para Adidas (contração de “Adi” e “Dassler”).

Rudolf deu o troco. Criou outra fábrica de tênis “Ruda”, mais tarde rebatizada de Puma. A criação das marcas dividiu a cidade de Herzogenaurach, cortada por um rio. Em uma das margens ficava a fábrica da Adidas e na outra, a da Puma. “O rio virou uma espécie de Muro de Berlim”, escreveu Bárbara Smit, autora de uma biografia dos irmãos. O ASV Herzogenaurach, um dos times de futebol da cidade, passou a ser patrocinado pela Adidas. O 1 FC Herzogenaurach, pela Puma. Quem estivesse com peças Adidas não entrava nos bares freqüentados por fãs da Puma e casamentos “mistos” passaram a ser malvistos.

A competição entre Adi e Rudi, era tão grande que nos anos 70, eles não perceberam a aproximação de sua verdadeira inimiga: a americana Nike, que desbancou as duas marcas alemãs. Rudolf morreu em 1974, e Adolf em 1978. Os dois estão enterrados no cemitério de Herzogenaurach, em lados opostos do terreno, é claro.

Estas desavenças ou competições entre Adi e Rudi, proporcionaram alguns fatos esportivos interessantes como, por exemplo:

· Em 1936, durante a Olimpíada de Berlim, os Dassler ofereceram um par de tênis para um corredor chamado Jesse Owens. Ele ganhou quatro medalhas de ouro e a jogada dos irmãos inaugurou o marketing esportivo;

· Na Olimpíada de 1960, o corredor Armin Hary firmou contratos separados com a Adidas e a Puma. Foi a única vez que os irmãos concordaram em alguma coisa: Armin nunca mais foi patrocinado por eles;

· Em 2004, Frank, neto de Rudolf (Puma), assumiu um cargo na Adidas. “Muitos familiares meus consideraram isso uma traição”, disse Frank.

Na década de 50, o tênis tornou-se popular entre os jovens e calçaram os pés dos símbolos da juventude rebelde tipo, James Dean, o pop star Buddy Holly e Elvis Presley.

Em 1960, o calçado esportivo mais popular como Converse ou Keds, possuía apenas uma sola rasa e uma estrutura superior em lona. As escolhas de um atleta variavam entre uma bota para basquetebol, ou um sapato para tênis/corrida.

Na década de 70, o calçado esportivo começou a transformar-se, com a vitória do americano Frank Shorter na maratona de Munique nos Jogos Olímpicos de 1972, o boom começou, forçando o desenvolvimento de novas tecnologias. Quanto mais pessoas começavam a correr, a procura por um calçado com maior proteção e confortável aumentava, ao mesmo tempo, outros esportes tornavam-se populares, houve necessidade do desenvolvimento de calçados cada vez mais específicos. Estas mudanças forçaram ao aparecimento de novos materiais e tecnologias. O desenvolvimento tecnológico mais avançado foi o aparecimento da sola intermédia.

"A indústria do calçado esportivo, é uma indústria de materiais!"

No basquetebol, por exemplo: Passamos de sapatos de sola em borracha látex com estrutura superior em lona (Converse All Star), para sapatos em couro ou materiais sintéticos, com solas intermédias em poliuretano ou E.V.A. de compressão moldada, com tecnologias de amortecimento como, Nike Air, Asics Gel ou Reebok DMX, solas específicas para Indoor ou outdoor, com estruturas de apoio como faixas de velcro, reforços em carbono etc. Muito diferente do que era chamado calçado de basquetebol, nos anos 70.

Os calçados para corridas, também evoluíram de forma dramática. No inicio dos anos 70, apenas possuíamos um tipo de forma e formato (o semi-curvo), com uma espécie de cunho geralmente de E.V.A. na sola intermédia. Hoje temos três formatos:

· Direito;

· Semi-curvo;

· Curvo.

Além de vários tipos de construções, densidades de sola intermédia, tipos de sola de acordo com o terreno, ou mesmo, características de apoio para compensar o ciclo mecânico do usuário.

Mesmo os calçados de tachas/pinos/travas evoluíram, hoje temos calçados com tachas/pinos/travas moldados, removíveis para pisos macios ou duros, de acordo com as necessidades dos praticantes sejam de futebol, basebol ou futebol americano, rúgbi e outros.

Existem hoje uma série de categorias de calçados, que não existiam, como, calçados para walking, fitness, handebol e outros, permitindo ao consumidor selecionar os calçados de acordo com as suas necessidades específicas.

A durabilidade das solas foi melhorada na década 80.

Ainda na década de 80, Nike inundou o mercado com uma linha popular de calçados esportivos. Ultimamente, as empresas vinculam suas marcas a atletas famosos e equipes esportivas. Além de popularizarem a prática esportiva, esse tipo de calçado reformulou a estética desse acessório do nosso vestuário.

A sola intermédia é o componente que ainda tem que evoluir bastante, pois as solas intermédias atuais são o elo mais fraco do calçado esportivo, pois geralmente são feitas em PU – Poliuretano de baixa densidade formando uma espécie de espuma que tende a comprimir e perder a eficácia com o uso.

Tecnologias como o Nike Shox, são tentativas de reduzir ao máximo a dependência das espumas de PU, nas solas intermédias.

Como a indústria do calçados esportivos, são indústrias de materiais, as grandes revoluções ainda poderão estar por vir.

Com todas as marcas, escolhas, materiais e tecnologias que existem hoje em dia, uma escolha acertada é cada vez mais difícil, pois para isso o consumidor teria que ser um verdadeiro perito em tecnologias e materiais e isso não é muito provável.

Juntando todos estes itens, o tênis não é hoje em dia, só um calçado, nem para quem fabrica, nem para quem usa. Pequena nave espacial urbana, o tênis exibe naqueles poucos centímetros e gramas de tecido, borracha e outros, tudo o que a tecnologia tem contabilizado como avanço. Materiais, design, funções, tudo amadurece com cuidado nas pranchetas dos seus criadores e a imaginação parece não ter limites. Embora a conta jamais tenha sido feita oficialmente, podemos arriscar a afirmação de que: “Hoje em dia em todo o planeta, há milhares de modelos de tênis, com finalidades específicas”. Todos procurando cada vez mais, envolver os pés de maneira suave e confortável.

Assim por exemplo, há estruturas em forma de pirâmide no solado, que absorvem impactos e os distribui de maneira uniforme, mecanismos que permitem movimentos independentes das partes dianteiras e traseiras do pé, modelos que podem ser chamados de múltiplos, uma vez que servem tanto para a prática de esportes como para a ginástica aeróbica e para corridas, no entanto, sabemos que só uma pequena parcela destes calçados são realmente utilizados para a prática esportiva como jogos de tênis propriamente ditos, ou basquete, ou até mesmo para a “malhação”.

Tênis é um calçado do dia-a-dia e está nos pés de celebridades e de gente anônima. Porque afinal, pode-se dizer que tudo seria exatamente igual, no mundo, sem alguns mitos que a moda implantou, ao longo dos tempos desde a invenção do tênis.

A área que ainda deverá evoluir muito é o do conforto, isto para acomodar a geração "baby boom" que envelhece (75 milhões de pessoas nasceram entre 1948 e 1964 nos Estados Unidos), esta população vai querer calçados cada vez mais confortáveis, forçando a indústria a procurar novas soluções, como novos materiais ou várias larguras.

Evolução Cronológica dos Calçados Esportivos

1866 - Produção do primeiro calçado com sola de borracha;

1873 - Surge o termo "Sneaker" (Tênis - Calçado);

1890 - Josefh William Foster produz os primeiros calçados com "tachas/pinos/travas" na sola (mais tarde a sua companhia torna-se a Reebok);

1892 - Fundação d a "Us Rubber Company";

1897 - O catálogo "Sear's" apresenta "sneaks" de lona branca a um dólar;

1908 - Marquis M Converse funda a sua indústria;

1909 - Surgem os calçados para basquetebol em couro;

1915 - A Marinha americana encomenda os primeiros "Sneaks" para os soldados "1ª Guerra Mundial";

1917 - Aparecem os Keds e os Converse "All Star";

1920 - O Duque de Windsor lança a moda dos tênis brancos na sua visita aos Estados Unidos;

1925 - É fundada a "Dassler Sport Shoes" (mais tarde daria origem à Puma e a Adidas);

1929 - A Spalding apresenta o apoio para a Arcada e a Keds solas coloridas;

1934 - A Keds apresenta os calçados de lona colorida;

1935 - Os calçados de lona azul são aceitos nos campos de tênis;

1942 - Desenvolvimento da borracha sintética;

1948 - Adi Dassler funda a Adidas e Rudolph Dassler funda a Puma;

1949 - Onitsuka Tiger fabrica os primeiros calçados esportivos no Japão (ASICS);

1950 - Surgem os ilhoses nas laterais dos tênis para a transpiração;

1961 - A New Balance apresenta o "Trackster", o primeiro calçado esportivo disponível em diferentes larguras;

1968 - O "Boom" dos calçados esportivos;

1971 - Phil Knight e Paul Bowerman fundam a Nike;

1972 - A sola "Waffle" revoluciona os tênis para corrida;

1979 - Paul Fireman compra os direitos da Reebok;

1981 - A Reebok apresenta o primeiro tênis para atividades aeróbicas para senhoras;

1989 - A Reebok lança o Pump por 175 dólares;

1992 - A Nike introduz a tecnologia Huarache (tênis com uma meia embutida em neoprene);

2000 - A Nike introduz um conceito novo: O shox (tênis com sistema de amortecimento em forma de molas);

2004 - A Adidas lança o primeiro calçado com chip na sola intermédia (A1), que adapta o sistema de amortecimento conforme as condições do solo;

2006 - A Adidas em parceria com o fabricante de monitores de freqüência cardíaca apresenta o primeiro calçado capaz de aceitar um sensor de velocidade e distância, fazendo parte de um conjunto calçado/têxtil monitor de freqüência cardíaca, capazes de comunicar com o relógio do usuário;

2006 - A Nike lança o tênis Air 360, tornando-se assim, a primeira empresa a fabricar um par de calçado esportivo, cujo amortecimento da sola intermédia é totalmente não baseada em espuma de PU;

2007 - Isaac Daniel lança uma linha de calçado esportivo com GPS incorporado, este calçado permite ao usuário utilizar um botão de "pânico" caso esteja em situações de perigo;

2008 - A Brooks lança a tecnologia BioMogo, um composto da sola intermédia 100% biodegradável em apenas 20 anos, em lugar dos 1000 que tarda uma sola convencional;

Futuro - A indústria do calçado desportivo é uma indústria de materiais.

Fonte: www.artigonal.com




História Dos Saltos Dos Calçados

A real origem dos saltos dos calçados confunde-se ou perde-se, ao longo da própria história dos calçados. Até onde sabe-se, os primeiros resquícios de calçados com saltos foram encontrados em tumbas do Antigo Egito e datam aproximadamente de 1.000 A.C.. Provavelmente estes calçados com saltos distinguiam a alta posição social do quem os utiliza.

Na Grécia Antiga, também houve a utilização de saltos, sendo que o primeiro grande dramaturgo trágico da história grega o autor Aeschylus, exigia dos atores que encenavam suas peças, a utilização de calçados plataforma feitos inicialmente de cortiça, estas plataformas tinham diferentes alturas, as quais indicavam a posição social qual personagem pertencia.

Isto também ocorreu na história recente do Oriente, mas precisamente no Japão, quando o Imperador Hirohito assumiu o trono em 1926, este utilizava calçado com plataforma de aproximadamente 30 cm de altura.

A história nos revela que os saltos altos também estiveram associados à sexualidade, uma vez que as prostitutas na Roma Antiga eram identificadas pelos saltos que utilizava já as cortesãs japonesas utilizavam tamancos com altura que variavam entre 15 e 30 cm, já as concubinas chinesas e as odaliscas turcas eram obrigadas a utilizarem sandálias altas provavelmente para dificultar a fuga dos haréns.

Mas é somente na Idade Moderna, mais precisamente durante o Renascimento o período da história da Europa aproximadamente entre fins do século XIII e meados do século XVII, quando diversas transformações em uma multiplicidade de áreas da vida, que iniciou-se a utilização do salto que foi criado para elevar a altura das mulheres, os primeiros saltos foram confeccionados em cortiça em forma de cunha, acompanhando o formato do arco do pé, elevando a altura apenas no calcanhar. Existem diferentes opiniões a respeito dos saltos altos, alguns como origem das "chopinas" (blocos de madeira utilizada como base/solado, onde o calçado era confeccionado), provenientes da China ou Turquia, eram sandálias com plataformas onde a altura dos solados apontava o nível social e chegava a atingir 40 cm. Havia casos de senhoras da corte que elevaram suas plataformas até 70 cm e precisavam às vezes de dois criados, um de cada lado para conseguir o equilíbrio, as chopinas foram inicialmente utilizadas pelos nobres, passando pela burguesia e chagando as camadas sociais mais baixas, daí foram desprezadas pela elite, sendo que as últimas as utilizarem as chopinas foram às prostitutas.

As plataformas e os saltos altos estão desde a Antigüidade associados a situações solenes e rituais, quando todo o universo gestual e os movimentos corporais, na época bastante contidos, estão relacionados a reverências e comportamentos formalizados. As mulheres mais observadoras imaginaram que suas silhuetas poderiam ganhar contornos mais sensuais com o calcanhar elevado, projetando o tórax para frente e dessa maneira ressaltando os seios. Até 1.600 não havia nada que realmente pudesse ser chamado de salto, nos anos de 1.590, até já tinham produzido alguns saltos baixos de madeiras ou cortiças, antes disso foram utilizados cunhos de cortiça ou empilhamento de camadas de couros, mas sem muito sucesso devido à dificuldade no caminhar. Uma vez com o surgimento do verdadeiro salto, com o conceito que conhecemos hoje, as outras formas de saltos desaparecem rapidamente. Em pleno século XVII, a fabricação de calçados com saltos originavam calçados com pouca estabilidade, causando freqüente falta de equilíbrio durante a utilização destes, isto devido às falhas na fabricação dos calçados principalmente na região de encaixe do salto, causando também problemas de emparelhamentos. Embora o desenvolvimento dos calçados desde o período Romano, já vinha sendo produzidos para pés direitos e esquerdos, porém a parte traseira dos calçados não havia diferenças entre os dois pés, então para dar mais estabilidades aos calçados com saltos, iniciou-se uma maior preocupação com detalhes e diferenciações entre pés esquerdos e direitos também na parte traseira.

A invenção do salto é atribuída a Catarina de Médicis (1519 a 1589), Rainha da França pelo casamento com o Duque Orléans (Henrique I), ficou viúva aos 40 anos, mas controlou o poder durante os reinados de seus filhos Francisco II, Carlos IX, e Henrique III. Apoiou o massacre dos protestantes na trágica noite e São Bartolomeu. Estudiosa da astrologia e magia, seus inimigos a acusavam e procurar auxílios de demônios.

Catarina de Médicis ao desembarcar em Paris, trazia em sua bagagem vários calçados de saltos, produzidos exclusivamente para ela com o único intuito de deixá-la mais alta, calçados estes, confeccionados por um artesão italiano. Logo seu gosto por saltos, acabou sendo absorvido pela aristocracia européia influenciando a moda, que incorporou o salto alto.

No século XVII, as mulheres que se utilizassem saltos altos para seduzir ou atrair os homens para os casamentos, eram punidas pelo parlamento inglês como feiticeiras. Em sua biografia Giovani Casanova, declarou sua tração pelos saltos altos, que segundo ele, levantavam as armações da saias-balão, utilizadas na época, sendo que assim mostravam as pernas femininas.

Durante o século XIX, importados do bordéis de Paris, os saltos altos foram introduzidos nos Estados Unidos. Nesta época em Paris eles já eram um grande sucesso, uma vez que os clientes preferiam contratar os serviços de prostitutas que utilizam os saltos. Ainda nesta épca não existia a figura do estilista ou designer de calçados, onde só seriam criadas durante o seculo XX, portanto, a criação destes calçados era apenas mais um ofício dentre muitos e ficavam a cargo dos modestos sapateiros.

A produção em larga escala dos calçados teve sua origem nos Estados Unidos, onde começous como uma tividade familiar e exclusiva de coloos do leste do país (Nova Inglaterra). Contudo a tradição do calçadoconfeccionado a mão não extigue-se e e um grande fenômeno europeu, especialmente em países como a Inglaterra, Itália e França, onde o design de calçados estava intimamente associado ao design de moda.

A indútria francesa ou parisense foi fundada por Charles Frederick Worth, em 1985. Worth foi o mais destacado estilista do mundo da moda na época, a ponto de ter sido ele o responsável por vestir toda a realeza da Europa. Trilhando o caminho de Worth, outros estilistas sugiram, como Paquin, Chernit e Doucent, tornando assim Paris a capital da moda. Alguns estilistas que trabalharam para estes mestres, com o passar do tempo foram granado independência e granhado destaque, podendo ser citado Pinet, que chegou em Paris em 1855, para trabalhar para Worth e acabou criando o salto que leva seu nome, o salto Pinet, que é mais fino e mais reto que o popular salto Luiz XV. Outro estilista importante desta época foi Pietro Yanturni que se auto-denominava “ O mais caro estilista de calçados do mundo”, com uma clientela exclusiva de apenas 20 clientes, sendo que atualemte seus calçados encontram-se expostos no Metropolitan Museum of Art de New York. André Perugia também seguiu os passo s Pietro Yanturni, sendo que seus claçados estão expostos no Musee de la Chaussure em Romans ne França.

No nício do século XX, requícios de pré-conceitos do século anterior, faziam muitos indivíduos considerarem indecentes mulheres que deixavam a mostra partes de seus pés ou pernas. Por isso, o conforto prevaleceu em dentrimento do estilo, que ficava restrito a privacidade dos lares. Ficando as apertadas botas e botinas para a utilização em público.

Após a Primeira Grande Guerra a história mudou, com o desenvolvimento da economia, os calçados de tiras entram em cena, com seus bicos alongados e saltos altos estilo “Luiz XV”. Houve uma ampla utilização de cores e os saltos eram tilizados até para dançar.

Junto com os anos 30, chegará a Grande Depressão, o que também repercutiu na moda, sendo que nos calçados os saltos se tornaram mais baixos e mais largos, nestas época muitas mulheres condenavam a utilização de saltos altos. Mas foi a partir de Segunda Grande Guerra, que os saltos passaram por uma fase de despreso total, devido a racionalização de várias matérias-primas, dentre elas o couro, que que tinha sua utlização exclusivamente para fins miltares.

No entanto, o italiano Salvatore Ferragamo encontrou a solução ao desenvolver um modelo de calçado com salto anabela em cortiça. Logo após o fim da guerra este modelo tornou-se moda, então muitos estilistas passaram a copiá-lo. Mas já em 1914, Salvatore Ferragamo já exportava calçados femininos feitos a mão para os Estados Unidos, onde ficou conhecido como o estilista dos calçados das estrela de Hollywood.

Durante algum tempo Salvatore Ferragamo, Charles Jourdan e André Perugia travaram uma competição para desenvolver o mais refinado e elegante salto, mas no processo de produção não podiam utilizar materiais frágeis como madeira, pois poderia não suportar o peso de uma mulher e partir.

O inglês David Evins, continuou o trabalho de Salvatore Ferragamo e durante 40 anos, continuou criando coleções para os mais famosos estilistas de New York, entre eles Bill Balss e Oscar de la Renta.
Muitos estilistas desenvolveram saltos em forma de pinos de aço recobertos com materiais plásticos, buscando solucionar os problemas de resistência ao peso pelos saltos. Os italianos Del Co e Albanese criaram uma sandália para a noite, com duas minúsculas tiras e um salto baixo sob o arco do pé.

Roger Viviee, que então trabalhava para Christian Dior em paris, aperfeiçoou este salto, dando-lhe a forma de uma vírgula e acabou por receber todo o créditopela invensão do salto Stiletto, isso em 1955.

Contudo, enquanto os franceses de fato, não tinham competidores à altura no que diz respeito à moda de vestuário, os italianos por sua vez, eram os mestres da produção em massa da moda calçadista. Graças aos contatos de Salvatore Ferragamo em Hollywood, esses calçados italianos se tornaram muito populares entre as estrelas hollywoodianas nos anos 50 (Jane Mansfield tinha mais de 200 pares). O salto stiletto, era então, sinônimo de “sex appeal”.

Enquanto isso, os médicos responsabilizavam os sapatos de salto alto por todos os tipos de problemas. E não só quanto à saúde da mulher. Muitos atribuíam o crescimento da delinqüência juvenil aos saltos altos.

Nos anos 60, teve início a transferência da moda de Paris para Londres e a moda das ruas ditava o que era para ser usado. Com o preço do couro em alta, os materiais sintéticos entraram em cena. Roger Vivier, Herbert Levine e Miller foram os pioneiros na utilização de material plástico transparente.

No início dos anos 70, as plataformas retornaram por um breve período, especialmente aquelas botas extravagantes de cano alto. Muitas destas botas tinham desenhos psicodélicos. Era o estilo andrógino do “Glam Rock”. Foi o estilista Terry de Havilland, quem as popularizou e encontrou adeptos não apenas entre as mulheres, mas também entre gays e lésbicas.

Nos anos 80, mulheres executivas passaram a adotar o salto stiletto, como um complemento aos seus vestuários para projetarem uma imagem de eficiência e de autoridade. Os saltos altos simbolizavam glamour e extravagância, além de um modo de expressar feminilidade nunca antes vista na história dos saltos altos.

Na última década do século XX, as plataformas reapareceram pelas mãos de Vivienne Westwood e Jean-Paul Gaultier. Nos anos 90, conceitos antigos foram reciclados. Assim como os estilistas de moda, os estilistas de calçados femininos passaram a ser estrelas do mundo fashion, com Manolo Blahnik, sendo então, o maior expoente. Como na década anterior, o nome da marca era a coisa mais importante.

Atualmente, existe uma nova geração de designers. Requisitados por clientes e por estilistas de moda, os sapatos de salto alto de designers como Joan Halpern, Maud Frizon, Beth e Herbert Levine, Andrea Pfister, Jan Jansen, Patrick Cox e Christian Louboutin algum dia serão apreciados como autênticas obras de arte. A tecnologia tem acrescentado novas opções de materiais (microfibras, tecidos elásticos etc.) o que aperfeiçoa o processo de produção. Tudo parece indicar que os sapatos e sandálias de salto alto continuarão a fazer muito sucesso na história da moda.

Fonte:
www.artigonal.com

 
       
 
 
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